Resenha: Trabalho Fonográfico de Daniela Araújo

Posted by Júnior | Posted in | Posted on 18:47


Essa é uma resenha feita sobre o trabalho fonográfica na nossa querida Daniela Araújo, contando tudo sobre as suas músicas. Confira:

Essa é a primeira vez que escrevo uma resenha para um trabalho fonográfico, apesar de sempre desejar ter feito isso e não poderia haver oportunidade melhor. O CD de estréia da cantora Daniela Araújo chega ao mercado depois de muita expectativa, tanto da própria quanto do público, que não parava de perguntar quando enfim o tão sonhado disco ganharia o mundo, já que algumas de suas canções já eram conhecidas, gravas em muito, pela net...
Falar desse disco é falar de autenticidade, um conceito já usado na filosofia existecicial e o que vemos aqui é um “RETRATO SONORO” de autenticidade, de alguém que não tem medo de mostrar a sua arte em essência (ou essências). No meio musical atual (“gospel” ou não), é um grande ato de coragem e persistência, e principalmente fé e fidelidade, lançar um trabalho tão diferenciado, seja em sonoridade ou estética e o que temos aqui foge do comum.
Hudson de Jesus

Vamos lá...


O trabalho inicia com a “pequena” e “enigmática”, se posso definir assim, Milímetro, que em sua letra traz uma frase bem filosófica: “como um milímetro de um segundo/é a minha existência no mundo/tudo está a se repetir/nada é novo para mim”, que, creio eu, traduz o tamanho infinitamente inferior do nosso sopro de vida na imensidão de um tempo infinito, ou melhor, da eternidade de Deus. “Estou sem medo de reestruturar...”, e já é possível saber disso desde os primeiros sons de cordas que iniciam a faixa, do piano desestruturante e das vozes de fundo.


A faixa Tempo, em seguida, vem trazendo consigo uma ótima letra (como todas as outras), com levadas de piano bem pop e uma marcação de bumbo constante, aliás os timbres de bateria estão muito bons. Ressalto aqui as guitarras com certa influência alternativa, com delays, reverbs, e outros sons na escola de bandas como U2, Coldplay, Radiohead. A faixa ainda contém os backings de Leonardo Gonçalves e o baixo de Fábio Aposan (que toca com Paulo César Baruk...sou fã..do Baruk e do Fábio..rsrs.:)


Guia-me é o primeiro single do disco e carrega uma certa melancolia na letra e na estrutura melódica/harmônica. As letras, num geral trazem boas reflexões, e esta é dividida em duas partes, primeiro como se fosse o próprio Deus falando e depois o indivíduo decidindo abrir mão de seu eu e pedindo a Deus que o guie. Esse indivíduo pode ser eu ou você, espero que sim!


A faixa Conexão fala de como é possível compreender-se quando estamos em sintonia com Deus, e tem uma levada no estilo brit-pop (não sei se foi uma boa definição, mas ta valendo..rs...) e traz uma interessante modulação. Aliás percebo todo um cuidado na “conexão” das letras com os arranjos e com os sons, todo um trabalho meticuloso, mas nem um pouco “matemático”.


“Um dia em ti descansarei...”, o momento do encontro com o Senhor Jesus é vivenciado em Dimensão da Luz, com toda a explosão e variedade sonora que algo assim precisa ser retratado. Essa canção começa suave com arranjos de sopro, e quando a voz entra junto com o órgão hammond, percebemos a doçura da interpretação. A primeira vez do refrão ainda não se ouve a falada explosão, mas da segunda vez e indo pro fim as guitarras antes delicadas desaguam em power chords, baixo e bateria pulsam com muita energia e o vocal de Daniela vem somando à essa massa sonora com uma interpretação vibrante e intensa. Dá pra perceber as influências de sons mais pesados apreciados por Daniela, e por mim também! :D


Santificação, também já conhecida na rede, ganhou ecos da MPB, com os violões de Felipe Garibaldi, o acordeon de Agostinho e os efeitos de percussão de Marcos César. Não sei se posso afirmar, mas me remeteu ao trabalho dos Tribalistas e do Clube da Esquina, pelos vocais masculinos graves, muito utilizados por Milton Nascimento. Uma das melhores, se é que é possível apontar algum destaque.


Dono dos meus dias, outra das conhecidas, com a participação do pai de Daniela, sr. Jorge Araújo, surge aqui na sua levada pop e alternativa com as já citadas guitarras da escola inglesa do estilo. A música cresce em intensidade ao longo da audição.


Em seguida temos um interlúdio da faixa Jugo Suave, com as cordas da orquestra de Praga, que por sinal rendeu uma belíssima sonoridade em todo o trabalho. Jugo Suave é uma música no estilo piano, voz e cordas, muito singela, como se sentir na presença de Jesus Cristo, que nos acolhe apesar do nosso vazio, da humana carência e do fardo pesado que as agruras da vida nos impõem.


Por Ti, traz um clima delicado em bem “jazzy”, com piano bem presente (como em todo o trabalho) e bateria bem “solta”. Destaco também os arranjos vocais todos feitos por Daniela e os desenhos de baixo (Mi Nunes). Os músicos também foram fundamentais para a “cara” do disco, e arrebentam!


Gratidão é mais uma canção repleta de sigeleza e criatividade nos arranjos grandes de cordas e vocais, versando sobre a Graça de Deus que nos alcança, e cá pra nós, parece que nos esquecemos disso! Destaco o piano rhodes de Samuel Silva e mais uma vez a variedade de vozes, que me fez lembrar um pouco Björk. Não me entendam mal sobre apontar referências sonoras que captei (é algo extremamente subjetivo) mas é algo que só nos faz mostrar o ecletismo e o bom gosto da Daniela e da produção num geral e as referências são “utilizadas” de forma autêntica, são retratos da multiplicidade de cores no trabalho da Daniela, tudo feito com unidade e compromisso consigo mesma e principalmente com Deus.


Todo Louvor é uma canção energética e com muitas guitarras distorcidas, de Déio Tambasco, Edgard Cabral e Alexandre Mariano. Essa faixa conta com as vozes masculinas e deu um clima bem legal, contrastando com a pegada rock e a voz da Daniela. Tem um final “viajante”.


Volta traz “de volta” os violões, com Edgard Cabral, e é uma faixa muito delicada (uso muito essa palavra, pois não encontrei outra melhor! Rsrs...). Clamando pela volta do Senhor, é uma oração de entrega da vida e da alma a Deus. Interessante é ter surpresas e aqui, quando pensamos que a faixa não tem mais pra onde ir, surge um quarteto vocal masculino, mixado como se fosse um velho disco de vinil. No fim, a música fica intensa, rock, com a entrada da cozinha e das guitarras...e do vocal da Daniela, que muda do doce para o “nervoso” (péssimo adjetivo....perdoem, mas ouçam a faixa e tirem as conclusões!).


Caminhando para o fim, chega a música De D-s, de Samuel Silva (pianista/tecladista presente nas faixas Gratidão e De D-s). É uma faixa emocionalmente carregada, com muitas cordas (arranjos do cunhado André R. S. Gonçalves). Daniela já chorou cantando essa música como pôde ver no youtube, e imagino que para gravá-la, não deve ter sido fácil. Sua letra é como se fosse Deus falando diretamente pra uma pessoa...”filho, tenho um presente pra você, volta..é na verdade, eu gosto muito de você”. Como não se sentir acolhido por Deus, mesmo quando achamos que estamos sós? Lembre da parábola do filho pródigo...


Por último temos a música Santuário que desta vez traz as guitarras em destaque, com a introdução em escalas que me lembra a musica oriental ou a música ibérica. Difere bastante da versão que rolava na web, e nem sei dizer qual gosto mais. Essa versão tem boa dose de peso, e inclusive na interpretação, com as notas lá no alto! No fim traz um momento instrumental com compassos “quebrados”, o que ficou bem interessante, já que curto rock progressivo. Mas antes dessa parte, os vocais masculinos graves ressurgem dando um tom “sombrio” (eu e minhas definições...rs...). No fim as cordas vêm cheias de tensões harmônicas, e é muito legal sentir esse contraste do alt rock com o erudito.

Esse álbum é um balsamo para quem já esperava por novidade (no sentido de novo e de renovação), e para quem já está saturado de repetições. Daniela Araújo é sua própria arte e merece todo carinho e respeito por esse inspirado trabalho. Que D-s continue a abençoando e quanto a nós, façamos a nossa parte, COMPRANDO O CD ORIGINAL! Eu já tenho o meu!
Hudson de Jesus

Fonte: Hudson de Jesus - Blog

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